10/07/2026
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) publicou, no fim de maio de 2026, a Resolução CVM nº 244 e retirou a obrigatoriedade de divulgação do relatório financeiro de sustentabilidade e clima para empresas de capital aberto.
Prevista para entrar em vigor em 2027, a exigência deixou de existir. Com a nova resolução, o report voltou a ser voluntário.
À primeira vista, a notícia parece aliviar a pressão sobre companhias abertas que ainda não estavam preparadas para adotar os padrões internacionais do ISSB (International Sustainability Standards Board).
Mas essa leitura pode ser enganosa.
“A decisão da CVM pode mudar a regra, mas não muda a direção do mercado”, diz Leonardo Pujol, sócio da República – Conteúdo & Estratégia. “Investidores, instituições financeiras, grandes clientes e cadeias globais de fornecimento continuam ampliando suas exigências sobre transparência em temas ESG.”
Em outras palavras: a pressão da regulação diminuiu, mas a pressão do mercado continua aumentando.
Por que a CVM revogou a obrigatoriedade do relatório de sustentabilidade?
A mudança ocorreu após pressão de entidades representativas do mercado, especialmente da Abrasca (Associação Brasileira das Companhias Abertas), que defendia o adiamento ou a retirada da exigência. De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, o principal argumento era o custo de implementação.
Segundo estimativas apresentadas pela entidade, a adoção dos novos padrões poderia elevar significativamente os gastos com auditoria, asseguração e adaptação dos processos internos, justamente em um período marcado por outras mudanças regulatórias relevantes, como a reforma tributária.
A própria CVM justificou a alteração afirmando que buscava equilibrar transparência e comparabilidade com a liberdade de cada companhia avaliar o custo-benefício de adotar o novo modelo.
Essa justificativa ajuda a compreender o momento.
O recuo da CVM não representa uma mudança de entendimento sobre a importância dos padrões internacionais de sustentabilidade. A autarquia continua reconhecendo o ISSB como referência técnica para o mercado brasileiro.
O que mudou foi o reconhecimento de que parte das empresas ainda não possui processos, indicadores e governança suficientemente maduros para cumprir esse padrão com qualidade.
Sob essa perspectiva, a Resolução 244 parece menos uma mudança de direção e mais uma desaceleração do cronograma. Por isso, afirmamos que o mercado continua caminhando na mesma direção.

Na imagem, relatório anual do Grupo Jacto: relatório de sustentabilidade muda após Resolução 244 da CVM.
O que isso significa para sua empresa?
A mudança regulatória devolve, sobretudo às empresas de capital aberto, a liberdade de decidir como querem evoluir nessa agenda.
Mas essa decisão precisa ser estratégica. Afinal, enquanto o Brasil flexibilizou sua regulamentação, outras economias continuam ampliando as exigências de informações sobre sustentabilidade.
A União Europeia avança com a Corporate Sustainability Reporting Directive (CSRD). Países como Reino Unido, Canadá, Japão e Austrália seguem estruturando suas próprias regras inspiradas no ISSB. Investidores institucionais continuam incorporando riscos climáticos às suas análises, bancos incluem indicadores ESG em processos de crédito e grandes empresas exigem cada vez mais transparência de fornecedores.
E mesmo organizações que não possuem capital aberto sentem esse movimento. Empresas exportadoras, integrantes de cadeias globais de fornecimento ou que dependem de financiamento frequentemente precisam responder questionários de clientes, bancos ou investidores sobre emissões, riscos climáticos, governança e indicadores sociais.
Na prática, existem três estágios possíveis para sua empresa.
- Empresas que ainda estão começando: se a organização ainda não possui indicadores estruturados nem processos consolidados de sustentabilidade, este é um bom momento para organizar informações, fortalecer a governança e construir um relatório institucional consistente. O objetivo não é cumprir uma obrigação, mas se preparar para o futuro.
- Empresas com agenda ESG em desenvolvimento: quem já acompanha indicadores e possui iniciativas estruturadas pode optar por um relatório voluntário. Mesmo sem adotar imediatamente toda a complexidade do padrão ISSB, essa alternativa preserva a transparência perante investidores, clientes e demais stakeholders, além de preparar a organização para uma eventual evolução regulatória.
- Empresas com governança madura: para organizações que já possuem operações internacionais, relacionamento frequente com investidores institucionais ou acesso a mercados mais exigentes, adaptar o relatório de sustentabilidade às normas ISSB continua sendo uma decisão estratégica.
Como a República pode ajudar
Na República – Conteúdo & Estratégia, unimos rigor jornalístico, conhecimento em governança e experiência na produção de publicações corporativas para transformar dados complexos em relatórios claros, relevantes e confiáveis.
Apoiamos empresas na produção de relatórios institucionais, anuais, de sustentabilidade e ESG, desenvolvendo conteúdo alinhado à estratégia e ao estágio de maturidade de cada organização.
- No segmento de relatórios, nosso portfólio de clientes incluem grandes organizações como Grupo Jacto, Mercur, Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e Irani.
Conclusão
A Resolução 244 não reduziu a importância dos relatórios de sustentabilidade. Ela apenas deu às empresas mais tempo para se preparar. E quem usar esse tempo para amadurecer processos, indicadores e governança chegará mais preparado quando investidores, clientes ou a própria regulação voltarem a elevar a exigência.
Cada empresa está em um estágio diferente de maturidade. O relatório ideal também. Se sua equipe está avaliando qual caminho faz mais sentido para 2026, converse com a República.
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